segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Lado B da Música

Em meio a contemporaneidade, observa-se a forte onda capitaneada pelas grandes produtoras que exercem todo o seu poder de coerção, lançando produtos no mercado musical destinados a sociedade de consumo e visando o gosto pouco exigente de uma parte da população do país. Priorizando o divertimento, o povo passa a ser alvo e não origem de uma produção musical que é realizada em série por profissionais que normalmente não fazem parte do grupo de pessoas despidas de suas características individuais. Entendido de maneira razoavelmente homogênea, o público (a grande massa) não mantém ligação vivencial com uma específica produção musical, fato que dialóga com as referências (identidade) do público alvo em questão e talvez explique o grande consumo dos gêneros da moda e por que são ligeiramente descartados.

Contrapondo-se a essa realidade, é possível identificar movimentos e personalidades musicais que transcendem a pseudo barreira da alienação promovida pela cultura de massa e se tornam verdadeiros marcos na história fonográfica e cultural do país. A exemplo do choro, gênero musical que ao longo dos anos é conhecido como representante legítimo da música virtuosística brasileira. Afinal, quem nunca ouviu (mesmo sem saber a autoria) algo como Odeon ou Apanhei-te Cavaquinho do grande e saudoso Ernesto Nazareth? Tais feitos repletos de conceitos, estão ligados diretamente à história e identidade de um povo, tornando sólido e capaz de atravessar os tempos e influenciar gerações. Porém, é importante chamar atenção para que a compreensão de tal linguagem artística não seja privilégio de poucos, pois segundo filósofos da escola de Franckfurt (Adorno e Horkheimer) existe uma estreita conexão entre a cultura de massa e a persistência da injustiça social.


Marcelo Pinho

Elitismo Musical




Em 1808, a Família Real Portuguesa chegou ao Brasil, fugindo das tropas de Napoleão, eles trouxeram sua própria cultura e definiram os moldes do que seria o “bom gosto”. Os batuques dos negros suas danças e umbigadas eram, segundo eles, o símbolo do “mau gosto” e, em alguns casos, chamado de dança do demônio.

A partir destes acontecimentos começou-se a marginalizar as manifestações culturais que já existiam em nosso país. A música clássica ganhou espaço na elite brasileira. O surgimento de Mozart e Beethoven afirmou ainda mais este pensamento. As manifestações populares espontâneas não eram notadas. O samba só passou a ter aceitação no início do século XX e foi consumido pela elite após o surgimento da MPB.

Diante destes fatos históricos, até os dias atuais a sociedade se divide para ouvir música. Porém é importante deixar claro que todo estilo musical faz parte da cultura do nosso povo, por que temos heranças musicais riquíssimas.

Determinadas composições ferem a língua portuguesa e a cultura brasileira, realidade que preocupa. Deve-se ter cuidado com este comportamento. Os meios de comunicação em massa podem contribuir, colocando as pessoas em contato com a sua própria História elevando o seu nível cultural.

Segundo Aristóteles é preciso instrução para que uma pessoa seja capaz de desfrutar do prazer proporcionado pela música, a educação musical teria assim, o objetivo de cultivar o amor à música, amor que tornará possível o deleite com a mesma, em idade avançada. Tal educação musical teria a finalidade de formar não os músicos profissionais, mas o seu público, ela não buscaria transmitir a proficiência em determinados instrumentos, mas sim ensinar a partilhar do prazer na audição da performance de profissionais.

Patrícia Cardoso

sábado, 23 de novembro de 2013

A transformação musical da Bahia


A música pode ser usada tanto para a manifestação de virtudes, quanto para a alienação em massa. Ela sempre teve papel de destaque nas vidas privada e pública na Grécia antiga, representando um importante valor na formação de seus cidadãos.

Para Platão, a música seria capaz de atingir profundamente a alma de um cidadão, podendo moldá-la para o bem ou para o mal. O uso correto da educação musical iria espantar os pensamentos ruins, enriquecer a alma, afastar os maus vícios, assim como fomentaria as virtudes, a coragem e a justiça. 


“A música é o meio mais poderoso do que qualquer outro porque o ritmo e a harmonia têm sua sede na alma. Ela enriquece esta última, confere- lhe a graça e ilumina aquele que recebe uma verdadeira educação.” - Platão.


Podemos observar e perceber que a música na Bahia também mantém a força de transformação de consciência dos cidadãos. O que antes era uma música simplista com letras que transmitiam um sentimento de liberdade, entusiasmo e alegria, sem apelação mercadológica como Moraes Moreira, Armadinho Macedo, Aroldo Macedo ou de protesto com discurso transformador, revolucionário, político e questionador, como Tom Zé, Caetano Veloso e Gilberto Gil, hoje não passa de músicas comerciais com intenção turística e sem nenhuma mensagem produtiva, com a construção de um discurso vazio, sem nenhum complemento filosófico, fazendo com que os ouvintes se tornem meros consumidores passivos que não exercitam nenhuma crítica ao padrão globalizado, criando uma geração que deixa a desejar quando os assuntos são moral, bom senso e valores, transformando a Bahia que já foi um celeiro de grandes pensadores e intelectuais, no estado que melhor representa a alienação, decadência musical e social do país.

Railson Da Luz  

Imagem: Retirada do Google.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A contribuição da Música para superar as adversidades


Uma reportagem da Revista Isto É, de 1 º de novembro deste ano de 2013, apresenta estudos científicos que decifram mecanismos psicológicos, cerebrais e levam uma pessoa a se recuperar melhor e mais rapidamente do sofrimento. Estes estudos apontam caminhos para desenvolver essa capacidade, dizem quais os segredos dos mais fortes e respondem por que algumas pessoas têm mais facilidade de naturalmente superar traumas e obstáculos sem tanto sofrimento.

Dos que se superam melhor, diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR, que coordenou o trabalho : “A maioria tem elevada autoestima (93%), autocontrole (86%), maior flexibilidade para lidar com as mudanças (81%) e objetivos definidos (72%)”. Esses membros são caracterizados de “resilientes” que na definição científica é a capacidade de adaptar às situações para superar as adversidades com menor nível possível de estresse. O indivíduo que foi exposto a fatalidades traumatizantes, acaba por desenvolver uma resistência maior e aprende a lidar bem com as dificuldades.


No que diz respeito à música, o seu poder é capaz de mexer com o emocional e o elemento intrínseco do ser humano, a alma. Desperta o incentivo, a disposição, a garra, a coragem e é o veículo pelo qual acessamos os nossos sentimentos mais íntimos, podendo contribuir positivamente para reais mudanças. A revista expõe a história da adolescente Kelly Pinheiro que tenta construir um futuro diferente de sua família.



O que a ciência já comprovou é que o cérebro é capaz de modificar seu funcionamento de acordo com os estímulos que recebe. A depender das circunstâncias internas, pode reforçar um circuito de neurônios que nos incentiva a reagir ou outro que nos leva a nos integrar. Portanto, segundo o estudo, lidar com a rejeição, valorizar suas aptidões, pensar nos acertos e analisar os problemas de outra maneira, alterar a maneira de pensar e de agir diante de uma circunstância ruim, modifica a forma como o cérebro responderá a situações semelhantes que vierem a ocorrer.

Carol Miranda

Mais informações: Revista ISTOÉ CLIQUE AQUI !

Música: Instrumento de incentivo e resgate na Escola






No Brasil existe um grande desafio a ser superado: A Evasão Escolar. Este é um fato social preocupante. A evasão ocorre quando os alunos deixam de frequentar as aulas durante o ano letivo. Segundo o IBGE, embora os índices pareçam pequenos, correspondem a um milhão e meio de alunos que por ano abandonam as escolas, desde o Ensino Fundamental ao Ensino Médio.

Existem causas variadas para o abandono escolar, estas se resumem em condições socioeconômicas, culturais, geográficas e o mais preocupante, o trabalho infantil. As mães precisam trabalhar, deixam o filho mais velho para cuidar dos menores, lhes dando os afazeres domésticos. Com isto a criança desde cedo compreende a importância do trabalho, porém não recebe incentivo algum para os estudos. Mesmo aqueles que iniciam, não conseguem concluir o ano letivo.

É necessário que o educador receba essas crianças na escola com métodos incentivadores. Estudos comprovam que a música inserida nas escolas é uma ferramenta importante e transformadora para estes alunos. Pois ela desperta o interesse pelo saber, a descoberta das suas habilidades, o aprendizado de outras matérias, e a disciplina diante da vida.

Há três anos o Colégio Nair de Brito, da cidade de Nazaré das Farinhas, Região Metropolitana de Salvador, vem desempenhando um papel importante através da música. A escola dá ao indivíduo a oportunidade de desenvolver os seus conhecimentos, entender a importância da família, criar uma identidade, e despertar para atitudes que serão tomadas na sociedade. Este processo de socialização acontece no decorrer desta convivência, unindo as famílias, atuando junto à comunidade com atividades desempenhadas pelos alunos e professores.

A educadora Ivanir Santos conseguiu resgatar alunos que não conseguiam frequentar as aulas, pois precisavam ajudar os pais na lavoura, e outros que com frequência estariam nas ruas utilizando drogas, hoje, fazem parte de uma Banda de Lata. Sensibilizada com a realidade vivenciada por toda a comunidade e preocupada com a evasão escolar, criou a banda para que a escola se tornasse mais atrativa, despertando nos alunos curiosidade e vontade de aprender, resgatando assim a sua maioria.


                                                                                                                   Patrícia Cardoso

Imagem: Projeto Banda de Lata